Dra. Juliana Ominelli

BRCA1 e BRCA2: quando fazer o teste genético e por que ele é tão importante?

BRCA1 e BRCA2: quando fazer o teste genético e por que ele é tão importante?

Ao falar em câncer de mama, especialmente em mulheres jovens ou com histórico familiar, o teste genético para mutações como BRCA1 e BRCA2 pode ser um divisor de águas.

Mais do que prever riscos futuros, essa informação genética hoje influencia decisões importantes sobre tratamento, cirurgias preventivas e acompanhamento a longo prazo.

Não faz ideia do que isso significa? Sem problemas! Vamos entender mais sobre o tema e, com isso, tirar as suas dúvidas sobre ele.

O que são as mutações BRCA1 e BRCA2?

BRCA1 e BRCA2 são genes responsáveis pela reparação do DNA. Quando funcionam corretamente, ajudam a proteger o organismo contra o desenvolvimento de um câncer.

Quando existe uma mutação hereditária, esse mecanismo falha, aumentando o risco de alguns tumores, principalmente:

  • câncer de mama (em mulheres e homens);
  • câncer de ovário;
  • câncer de pâncreas;
  • câncer de próstata.

Nem toda pessoa com mutação desenvolverá câncer, mas o risco é significativamente maior.

Quando o teste genético para BRCA é indicado?

Quando o teste genético para BRCA é indicado?


De acordo com diretrizes atuais, o teste deve ser considerado em situações como:

  • câncer de mama diagnosticado antes dos 50 anos;
  • câncer de mama triplo-negativo antes dos 60 anos;
  • câncer de mama em homens;
  • câncer de ovário epitelial de alto grau, em qualquer idade;
  • múltiplos casos de câncer de mama ou ovário na família;
  • histórico familiar de câncer de pâncreas ou próstata;
  • ascendência judaica Ashkenazi.

Nesses cenários, a investigação genética pode impactar diretamente o manejo clínico.

E o teste genético e tratamento do câncer de mama?

Hoje, o teste de BRCA não serve apenas para avaliar risco hereditário.
Ele pode influenciar:

  • escolha do tipo de cirurgia;
  • indicação de terapias-alvo, como os inibidores de PARP;
  • definição do risco de novos tumores;
  • planejamento do acompanhamento a longo prazo.

Por isso, muitas pacientes com câncer de mama, mesmo sem histórico familiar, podem se beneficiar da testagem, especialmente em contextos de alto risco ou doença avançada.

Quando fazer o teste genético?

Sempre que possível, o ideal é realizar o teste logo após o diagnóstico.

O resultado pode ajudar a decidir:

  • se a cirurgia será conservadora ou mais extensa;
  • se há indicação de cirurgia redutora de risco;
  • quais tratamentos  sistêmicos são mais eficazes.

Fazer o teste cedo evita decisões tardias e amplia as opções terapêuticas.

Cirurgias redutoras de risco: quem deve considerar?

Cirurgias redutoras de risco: quem deve considerar?

Pacientes com mutação confirmada em BRCA1 ou BRCA2 podem discutir, de forma individualizada:

  • mastectomia contralateral preventiva;
  • mastectomia bilateral em pacientes sem câncer, mas com alto risco;
  • retirada preventiva dos ovários, especialmente após os 35–40 anos ou após completar a maternidade.

Essas decisões devem sempre ser compartilhadas, com apoio médico e, idealmente, aconselhamento genético.

Como é feito o teste genético?

O teste é simples e realizado a partir de:

  • amostra de sangue ou saliva;
  • análise em laboratório especializado;
  • resultado disponível em algumas semanas.

Quando há indicação clínica, pode ser coberto por planos de saúde. A interpretação deve ser feita por profissional experiente para evitar conclusões equivocadas.

E se o teste for negativo?

Um resultado negativo não elimina completamente o risco.
Dependendo da história familiar e do tipo de tumor, o acompanhamento pode continuar sendo mais rigoroso.

Em casos de variante de significado incerto (VUS), o seguimento especializado é fundamental.

O teste genético para BRCA1 e BRCA2 vai muito além de um exame. Ele pode mudar o tratamento atual, prevenir novos cânceres, proteger familiares e permitir decisões mais seguras e personalizadas.

Assim, a informação genética, quando bem indicada, é uma poderosa aliada no cuidado oncológico.
Tem histórico familiar ou foi diagnosticada com câncer de mama em idade jovem? Agende uma consulta para avaliação genética e definição do melhor plano de cuidado.